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Faço poesia

Tópico: 5782E431U096

Mariano da Rosa
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À 703T864I2159

Em cada Sílaba crua um Ângulo Reto
Da Geometria da tua Silhueta:
Grita, Chora, Geme, Desmaia... Silencia...
Como uma inescapável Gota de Desejo!

Em cada Vírgula uma súbita Carícia:
Intersecção de Gestos, Atalhos do Ego
Que em Interjeições, monossílabo, transborda
Em Hieróglifos de “Paixão Pós-Moderna”!

Cada Verbo faz-se um Rastro de Ânsias – sangra...
Confissão de Um Número, Consciência Anônima
Que no Virtual Divã Freudiano busca
A Mística de um Sadomasoquista Afeto!

Em cada Interrogação um Eco, um Protesto,
Cuspindo Medo e Orgulho sem qualquer pudor,
Diante de um Pronome insípido, sem cheiro...
Que torna tudo Oblíquo e Oculto – até o Sujeito!

Em cada Exclamação um Aborto Cirúrgico:
Vida - subvertida pelo Arbítrio Ortográfico
Que vomita “Nãos-de-Espasmo” sem Dor ou Culpa,
O Último Adeus deixando como consolo!...

E Eu? Quem sou? Um Substantivo Próprio, um Código
Alfanumérico, uma Senha, uma Fórmula...
Uma Forma do “Ser-Enquanto-Ser”: Cobaia
Do Monólogo Catártico deste Século!

(extraído do livro "Húmus" - inédito, e publicado no blog "Indicium": www.marianodarosapoeta.blogspot.com)
21:14 - 03/11/2006



 
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